Conversamos com empresas diariamente e percebemos, na grande maioria delas, um padrão comum quanto à erros no processo de transformação (seja digital ou ágil).
Algumas dessas falhas são cometidas de forma sistemática nas áreas de Tecnologia e Negócios, gerando produtos que, muitas vezes, não agradam ou não geram tanto valor aos clientes.
O tempo é escasso para todo mundo. Os custos estão diminuindo cada vez mais e o “menos tem que ser mais” de verdade. Entretanto, entregar realmente mais é um grande desafio.
Se a empresa não tiver a agilidade realmente incorporada, não será possível se destacar. Se entregar valor ainda é uma dificuldade, a área vai ficar para trás.
Entretanto, os profissionais que estão desenvolvendo produtos digitais que realmente agregam valor, estão se destacando no mercado e sendo caçados pelas empresas, pois estão conseguindo fazer realmente mais com menos e ajudando a criar produtos que, de fato, encantam os clientes e geram valor para as empresas.
Com isso, eu te pergunto: você está completamente satisfeito com seus produtos digitais ou modelos de trabalho do seu time? Está feliz com a produtividade e resultados?
Sabe que pode fazer mais e melhor, mas não sabe como nem por onde começar? Se essas questões te incomodaram, provavelmente algum desses erros devem estar presentes no seu time.
Confira os mais comuns:
1) Processos tradicionais que parecem ágeis
A empresa tem algumas pessoas certificadas em alguns modelos de trabalho, faz alguns eventos/cerimônias de forma bem mecânica, discute muito se é Scrum ou Kanban que deve ser utilizado…
Mas no fundo, a organização ainda está no paradigma tradicional de desenvolvimento.
Muitas vezes acaba fazendo um water-scrum-fall, ou seja, produtos só são lançados após meses de criação. Muita burocracia desnecessária ainda existe! Costumamos dizer que essa empresa está num nível de maturidade 1, fazendo um Ágil Mecânico.
Muitos times pensam que ser ágil é:
- “Tenho um fluxo no azure, sou ágil”
- “Comecei a fazer algumas cerimônias, de daily, planning, sou ágil…”
- “Tenho Scrum Master certificado e um Product Owner part-time alocado, sou ágil”
Entendem que fazem alguns processos de forma ágil, pois usam um framework (de forma superficial, às vezes), mas não sabem distinguir a diferença entre fazer ágil ou ser ágil.
O processo tem a cara de ágil, parece que está se iniciando uma transformação, mas, no fundo, a cultura ainda é tradicional.
2) Cultura do controle e não do valor
Outro erro muito comum, se refere a parte cultural. Gosto de dizer que no fundo, a base para criação de ótimos produtos digitais é uma mudança cultural.
Se a área de desenvolvimento está focada, principalmente, em ter controle; em achar culpados por erros; em centralizar decisões em pessoas específicas; se fica muito focada no processo e nas entregas, ao invés de focar no valor…
Com certeza é uma área que está perdendo tempo e dinheiro.
Se esses aspectos estão presentes, preciso te dizer que você ainda tem uma cultura que vai te atrapalhar a ter times de alto desempenho.
Empresas que criam bons produtos digitais tem seu foco principal em entregar valor constante ao cliente, fortalecendo uma cultura que delega decisões, que possui objetivos claros, uma cultura na qual as pessoas são fundamentais.
Quando o time está com foco na entrega de valor, aspectos interessantes aparecem, como:
- cultura de aprendizado com erros;
- cultura de time, ao invés de vangloriar os heróis que são indispensáveis;
- cultura de ownership, ao invés das pessoas se esconderem das responsabilidades;
Criar ótimos produtos começa, principalmente, com atitude! Não adianta ter diversas ferramentas e processos, é preciso fomentar uma forte cultura de produtos dentro da empresa. Em sua empresa, como é a cultura de verdade, e não aquela que pendurada na parede?
3) Não dar a devida atenção às pessoas e tratá-las como recursos
Líderes não estão satisfeitos com a produtividade das equipes. Equipes não estão contentes com o modelo de gestão dos líderes.
E um dos principais erros que ocasionam esse tipo de situação é contratar pessoas buscando perfis mais baratos, com baixa qualificação.
Por exemplo, diversas consultorias ao fornecer uma prestação de serviço, principalmente na área de TI, oferecem um profissional sênior, mas que no final, na prática, é nível júnior.
Isso acontece bastante pois a empresa já parte da ideia de que é necessário ter muitos times e com muitas pessoas para aumentar a eficiência, e para isso precisa-se baratear o custo.
Outro ponto bastante comum ainda é a baixa colaboração entre times. A liderança ainda no modelo tradicional e equipes com gaps de conhecimentos chaves para o desenvolvimento dos sistemas, por exemplo.
Com isso, as pessoas acabam trabalhando mais de forma reativa, apagando incêndios, do que de forma proativa.
Essas são algumas das características encontradas quando a empresa não consegue lidar com pessoas da forma correta.
Achar as pessoas certas, colocar no lugar certo e com os processos e modelos corretos – somente assim haverá um time capaz de criar produtos e serviços que realmente encantem o cliente.
4) Metas tradicionais que afundam os times
Na sua empresa, você tem visibilidade de metas de pares ou de outras áreas? Sua meta mede apenas quesitos de eficiência ou mede resultados?
Você sente que as metas dos times são compartilhadas entre eles de alguma forma? E elas são ligadas claramente a meta da área ou da empresa?
Já percebeu situações nas quais precisava da ajuda de alguém, mas a meta da área não era a mesma que a sua, logo não existia colaboração?
Essas perguntas te ajudam a entender se esse problema existe na sua empresa, de metas que apenas afundam os times.
Metas apenas de eficiência, falta de transparência e foco, metas não compartilhas e metas muito longas e pouco claras, pode matar o desenvolvimento de produtos excepcionais.
Ainda mais se o bônus das pessoas tiverem ligadas a essas metas. Isso porque, no final do dia, os times e as pessoas se comportam de acordo como elas são medidas – “me diga como me medes e eu te digo como eu me comporto”.
Em empresas realmente digitais, é fácil encontrar metas compartilhadas entre as áreas de Negócios e TI, por exemplo. As metas precisam ser transparentes usando modelos como OKRs, metas curtas trimestrais, que ajudam os times a serem ágeis e que deem a possibilidade de se reajustar, conforme aprendem mais.
Ouvi uma frase de um cliente que traduz muito bem esse problema: “O problema não é a quantidade de entrega, mas a qualidade dessas entregas, no sentido de: estamos entregando bastante, mas entregando o quê?
A pressão das entregas que os times sofrem, as mudanças de prioridades, fazem os times entregarem muito, mas não estamos conseguindo mexer o ponteiro, não estamos impactando realmente o cliente final.
As entregas vem de desejos pessoais, de algum lugar que não tem um direcionamento muito claro.
A quantidade de entrega aumentou, mas a qualidade geral, focada em valor, é uma zona cinzenta ainda” e eu concordo completamente com tudo isso.
5) Não existir uma visão correta de Produto
Outra falha muito frequente, que impede a criação de bons produtos digitais, é quando os times ainda são focados em uma cultura de projetos, na qual o sucesso é atender o escopo e o prazo ou o foco é conseguir fazer mais tarefas em menos tempo.
As pessoas não conhecem os clientes! Às vezes até possuem uma persona, uma jornada de compra desenhada, mas não é ela que guia o desenvolvimento no dia a dia.
Os Product Owners são apenas “tiradores de pedidos” que se preocupam e escrever histórias de usuários. Eles tiram pedidos de gerentes ou stakeholders – que são as pessoas que definem o que o cliente precisa.
Em outras palavras, a empresa ainda é “stakeholder centric”.
Fala-se sobre ser customer centric, ou seja, colocar o cliente no centro em toda a cadeia de criação e desenvolvimento de um produto ou funcionalidade, mas no final do dia as pessoas não sabem de forma prática o que é isso.
Quando é perguntado para alguém: o que é valor para o cliente? A grande maioria não sabe responder ou obtemos respostas não coesas entre as pessoas.
Um ponto chave na criação de produtos de alto valor, que dão vantagem competitiva para qualquer empresa, é ter um gestão de Produtos correta.
É sair de uma cultura de Projetos e ir para uma cultura de Produtos, no qual paramos de atender desejos de stakeholders e focamos muito mais em resolver os problemas dos clientes.
“Somos obcecados pelo cliente. Começamos com o cliente e trabalhamos de trás pra frente.” (Jeff Bezos)
6) Baixa maturidade em engenharia de software
Durante uma consultoria, em uma entrevista com um time, após várias perguntas aos membros, identificamos um padrão interessante – padrão esse que depois foi encontrado em outros times: baixa maturidade de engenharia de software.
Talvez por pontos anteriores citados, os time são cobrados por produtividade e entregas, atrelados à baixa maturidade profissional de alguns “recursos”, cria-se times com baixa maturidade de engenharia de software.
Esses times até criam uma produtividade mascarada no curto prazo, gerando baixo padrões de desenvolvimento e arquiteturas falhas.
Mas a conta um dia vem e o time começa a ficar lento, pois tudo no desenvolvimento começa a ficar complexo.
Padrões de desenvolvimento não existem e itens como Qualidade Ágil e Devops são desejados pelos times mas não aplicados corretamente.
Os Gerentes se enganam e acham que já são experts no assunto, apresentando relatórios sofisticados, mostrando como o time deles são ágeis com engenharia ágil.
Mas no fundo, na realidade, todos sabem que ainda muito tem que se fazer!
Um complicador dessa situação como um todo são os sistemas legados existentes e os grandes débitos técnicos.
Empresas que conseguiram se transformar de verdade, colocavam esses problemas visíveis, colocavam o “elefante na mesa” realmente, para que os problemas fossem endereçados e discutidos.
Afinal, se um time precisa de uma nova API, por exemplo, para mostrar um valor na tela e precisa esperar meses para a criação desta interface, não tem como ser ágil de verdade.
Provavelmente, a empresa vai modelar o produto de acordo com as capacidades dos sistemas internos, e não por causa do cliente – colocando no foco do desenvolvimento para realmente atender suas necessidades.
Nesse cenário a área de Negócios quer que algo seja feito de um jeito, mas a TI fala “isso não é possível por causa do nossos sistema, então vamos fazer de outra maneira”.
7) Silos organizacionais
Por último, mas não menos importante, um padrão que pode matar a criação de ótimos produtos digitais são os silos dentro da organização.
Uma estrutura com dependências entre áreas acaba criando um cenário no qual cada um pensa somente no seu, e ninguém consegue ter uma visão ponta a ponta.
As empresas estão tentando diminuir os silos criando tribos e squads, porém já vimos locais onde:
- A tribo nada mais era do que a mesma área de antes, apenas com um nome diferente;
- A squad é montada buscando eficiência operacional e ocupação dos membros (que todos os colaboradores fiquem muito tempo alocados e ocupados). Assim, criam-se squads técnicas e não equipes multidisciplinares, perdendo a agilidade nas entregas;
- Ter alguém da área de Negócios dentro da equipe é impossível, pois não se pode dar transparência de “problemas” para as outras áreas, por exemplo;
- As áreas ainda competem entre si, ao invés de trocarem informações – a área começou alguma iniciativa interessante, mas guarda-se como um segredo, com a expectativa de algum dia alguém dar esse reconhecimento e eles obterem o mérito.
Quando falamos em montar tribos por jornada do cliente, a mente das pessoas “fritam” literalmente, e acaba-se não fazendo a mudança pois isso seria muito trabalhoso.
Se a empresa ainda é cheia de silos, definitivamente os produtos perdem qualidade e o time não consegue entregar valor de verdade.
Agora você deve estar se perguntando: quais são os maiores problemas que ocorrem por conta desses silos? Nós já elencamos alguns:

Por fim, já está na hora de empresas perceberem que precisam construir no presente, o futuro que já está aí! Fazer o que é importante, no tempo correto e da forma correta – isso é o que se deve buscar diariamente.
Ser realmente digital não está na forma que produtos e serviços são apresentados ao consumidor final, mas no modelo no qual eles são criados e desenvolvidos. E isso não é mais o futuro! É um presente cada vez mais urgente.
Um estudo realizado pela IBM mostra que 59% das organizações aceleraram seus processos de transformação digital durante a pandemia causada pelo Covid-19.
Isso porque executivos passaram a confiar mais nos benefícios que esses novos processos e formatos trazem para a organização, deixando-a muito mais preparada este novo normal.
Tanto os riscos, como as oportunidades são muito grandes. As apostas são muito altas e não tem como ficar para trás. É preciso agir!
E a solução para tudo isso está 100% ligada a contratação correta das pessoas e fornecedores. É normal encontrar conceitos rasos, mesmo com muita vontade de fazer diferente, mas falta muita técnica para fazer corretamente.
O conhecimento adequado e a vontade de fazer diferente e melhor, é um atributo de pessoas. Gosto muito de dizer que “qualquer time júnior faz um sistema com 50 telas – mas para fazer um produto com pouquíssimas telas, que resolve talvez 80% dos problemas, é necessário um time muito capacitado, engajado e com os corretos incentivos.”
Não podemos fugir disso! Enquanto as empresas não tiverem as pessoas e fornecedores corretos, os produtos ainda serão feito com baixa qualidade como um todo e muito dinheiro será perdido.
Veja como ajudamos a transformar um dos principais produtos digitais da maior empresa de pagamentos automáticos de pedágios e estacionamentos, a Sem Parar.