Em 2020, o ano mais desafiador dos últimos tempos, falar “o novo normal” chega a ser irritante. Mas, se tem algo que se tornou diferente neste ano é o feedback.
O “novo feedback” – é horrível esse termo, eu sei, mas ele se faz muito necessário – já que o contato físico e social foi restringido, o trabalho se tornou todo remoto, fazendo com que tivéssemos novas preocupações e riscos em nossa rotina profissional.
Acompanhando a maioria das pesquisas que atribui o trabalho remoto à qualidade de vida, eu resolvi compartilhar um pouco da realidade pra esfregar na cara de quem faz pesquisa que: qualidade de vida não é trabalhar de casa.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo LinkedIn (publicada pela InfoMoney), 62% dos profissionais estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que estavam antes.
Em minha opinião, esta questão de qualidade de vida está muito mais próxima ao se ter um trabalho com acompanhamento de carreira e metas claras sobre seu desenvolvimento, no qual temos tempo de aprender e ter mais momentos com nossa família e amigos, do que obrigatoriamente trabalhar de casa.
Mas o que isso tem a ver com feedback?
Bom, essa é uma ferramenta extremamente importante e que colabora muito para ter essa tal qualidade de vida.
No clássico cenário no qual se trabalha no mesmo ambiente físico do seu time, é muito mais simples de se observar um comportamento de tristeza, de alegria ou de ansiedade, por exemplo.
Isso porque o fato de você estar em contato presencial com uma pessoa e com uma percepção apurada, faz com que você consiga reconhecer esses sentimentos no ar e atuar prontamente sobre essas pessoas.
No trabalho remoto ficamos dentro das nossas casas, geralmente com uma carga horária de bem maior do que num trabalho presencial, fazendo com que o gatilho mental de stress das pessoas esteja muito sensível, levando-as ao limite emocional. E aí volta a principal questão deste texto:
Dar feedback para essas pessoas e times, todos a distância, foi um dos maiores desafios este ano, além de todo o caos causado por conta de uma pandemia.
Entretanto, uma das coisas que eu mais levei em consideração ao dar e receber feedbacks, foi a minha própria percepção de trabalho remoto e o quanto isso me afetou.
Desde o medo de ser demitido, toda a adaptação para essa nova realidade que ainda estamos vivendo, até o conformismo ao ver que as coisas não estão mudando, envolto pelo pensamento de “se eu fizer, tudo bem” e “se não fizer, tudo bem”.
Este ano, o feedback deixou de ser formal e realizado num determinado período e passou a ser diário.
Às vezes, até a cada hora, pois novas situações surgem e são acontecimentos não previstos ou novas realidades, nas quais temos de estar lado a lado com o nosso time entendendo e nos adaptando a cada cenário.
Conversar sobre qualquer tipo de assunto com o time, dá informações de como as pessoas estão se sentindo no seu dia a dia e como elas buscam e pensam sobre o futuro; para que eu, como Delivery Manager (responsável pelas entregas do time), possa realmente estar com uma percepção mais acertada sobre os anseios e desejos dessa pessoa e do time como um todo.
Mas, se você ainda tem dúvidas de como dar feedback, vou listar alguns pontos que são bem importantes:
Preste atenção nos detalhes!
Cada vez mais, conversar e conhecer as pessoas é super válido.
Hoje são apenas nossos e nossas colegas de trabalho, mas nada impede de você entender um pouco mais quem são, o que faz essa pessoa feliz, o que não faz, a qual a relação familiar dela, qual é o lazer dela, se ela teve alguém afetado pela Covid-19 ou qualquer outro tipo de doença, etc;
Saiba ler o ambiente
Entender o momento certo e prepare antes o que será dito.
O feedback deve acontecer dentro de um contexto específico do ocorrido para que gere uma reflexão sobre aquilo e uma possibilidade de ação para reforçar ou melhorar algo;
Convide a pessoa para participar de sua própria melhoria
Ou seja, ajude-a a construir um plano de ação para a resolução daquela situação.
Claro, sempre acompanhando-a durante essa evolução, perguntando de tempos em tempos como estão as coisas;
Muito além do feedback pessoal, o feedback sobre o time é essencial.
Meu trabalho é desenvolver um time no qual o time em si é maior do que qualquer pessoa dentro desse grupo. Mas esse assunto vou deixar para outro artigo!
Não vou nem falar sobre “recurso”, afinal não dá para explicar novamente a diferença entre recursos e pessoas em pleno 2020.
Se você não aprendeu isso até hoje, ESTUDE e não chame pessoas de recursos.
Pois bem, essas foram as minhas dicas sobre como fazer feedback neste “novo formato”.
Entendo que trabalhar com pessoas é estar sempre atento, muito mais do que esperar uma dinâmica mágica e maravilhosa para feedbacks, na qual você vai preencher uma frase com palavra chave, vai trocar com seu amigo e cada um vai se auto avaliar e bla-bla-bla…
Espero que, com tudo isso, a gente aprenda a ser cada vez mais menos prescritivo na gestão de sentimentos e de evolução do time, pois isso deixa o nosso trabalho e nossas relações muito mais humano.
Em 2020, o feedback pra mim tem muito a ver com uma frase que ouvi de um grande amigo meu, chamado Vilson Laerte: “estamos com pessoas, trabalhando com pessoas e desenvolvendo algo para pessoas, o resto é computador, cadeira e mesa velha.”
