A transformação ágil é algo muito discutido hoje em dia pelas empresas que querem estar alinhadas com o mercado e desenvolverem melhores produtos e serviços. Entretanto, conseguir identificar em qual nível de maturidade ágil sua empresa se encontra é uma parte importante no processo e, muitas vezes, bem complexa. Entender o quanto sua empresa já é ágil, é uma jornada, às vezes bem longa, que os pessoas precisam passar para saber o que precisa ser transformado dentro de um time, uma área ou até em toda a organização.
Leia este artigo e entenda tudo sobre a transformação ágil de verdade.
Conhecer os níveis de maturidade, vai te ajudar a chegar num estágio alto mais rápido e de forma mais eficaz. Por isso, neste artigo, vamos te explicar o que caracteriza cada estágio de agilidade para que você consiga identificar onde sua empresa está dentro deste processo de transformação.
Os estágios de maturidade e a transformação ágil
Ser ágil é desenvolver capacidades que ofereçam agilidade ao seu negócio. As tecnologias, a cultura e os processos de trabalho criam um ambiente onde é possível realizar pequenas entregas de um produto em um ciclo curto, com o objetivo de provar uma hipótese que irá gerar operações eficientes e maior capacidade de geração nas receitas atuais.
Existem muitos benefícios em ser uma empresa ágil e para que se usufrua destes, é preciso uma visão sistêmica do seu negócio.
As empresas tradicionais, em sua maioria, possuem longos processos, muito comando e controle, falta de engajamento e sentimento de dono entre os colaboradores, áreas que não se conversam, entre outras características. Já uma empresa ágil foca em processos curtos, com entregas em menor tempo e melhorias no alinhamento entre times. Infelizmente, a maioria das empresas do mercado estão no meio do caminho, elas querem ser ágeis mas possuem uma mentalidade tradicional que as travam no processo de transformação.
Segundo o 14th State Of Agile, 95% das empresas que participaram desta pesquisa usam algum tipo de método ágil em seu dia a dia. Entretanto, 82% dessas organizações não incorporaram esses conceitos em toda empresa e ainda precisam aumentar esse nível de maturidade, a fim de expandir esses conceitos para além de pequenos times e iniciativas para a empresa como um todo.
Com processos otimizados e um novo mindset, as empresas ágeis conseguem ter um meio de identificação de falhas mais fácil. Lembrando que, quando falamos em transformação ágil, temos 4 pilares:
- comunicação — indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
- pragmatismo — produto funcionando mais que documentação abrangente;
- colaboração — colaboração com o cliente mais que a negociação de contratos;
- adaptabilidade — responder a mudanças mais que seguir um plano.
Conhecendo os estágios de maturidade ágil
Estágio 0 – Empresas Tradicionais
São aquelas empresas onde o colaborador ou gerente já escutou falar sobre a transformação ágil mas não colocou em prática ainda.
Normalmente, são empresas que, uma pessoa já leu algum livro ou artigo sobre metodologia ágil, entendeu a importância desse processo como um todo e vai começa a ir em busca de uma consultoria a fim de ter ajuda profissional na transformação.
Ela até tenta implementar alguns conceitos e práticas, mas por não ter tudo isso incorporado como um todo, acaba falhando ou até dando pouco resultado.
Estágio 1 – Ágil Mecânico
É o estágio onde a maioria das empresas estão!
Nesse ponto, já se conhece o conceito de transformação ágil, mas não o processo completo.
Normalmente, a empresa já utiliza métodos como o Kanban, possuem alinhamentos diários, muda os nomes de áreas para squads, usam post-its para organizar tarefas e alguns outros métodos organizacionais… Apesar disso, ainda não pode ser considerada, de fato, uma empresa ágil.
- Ainda não é uma organização transparente e com objetivos claros
- Não possui transparência das informações, com muita gestão visual
- Ainda não possui entregas em ciclos curtos, com foco na geração de valor
- Falta mais visibilidade, melhoria em processos e áreas mais colaborativas
Isso é o Ágil Mecânico! Um estágio no qual já se conhece e utiliza alguns conceitos e práticas ágeis, mas a cultura, o mindset ainda é completamente tradicional e taylorista. É possível mudar o comportamento desta empresa e chegar num outro nível de maturidade ágil? Sim, com treinamentos, consultoria e montagem de times de alto desempenho – que é o que fazemos com a ajuda da Agile School – nossa área educacional e na Agile Inc, desenvolvendo soluções corporativas.
Estágio 2 – Tentando o ágil
Essas empresas estão em um nível intermediário, no meio do caminho. Apesar de já ter passado da fase ágil mecânico, ainda não possui fluxo de trabalho contínuo para estar no nível avançado.
Os processos ainda precisam ser aprimorados e os colaboradores ainda precisam desenvolver qualificações, conhecimentos e experiências.
É um estágio de processo no qual as empresas estão iniciando a jornada ágil. É um estágio de passagem, onde as empresas ficam por pouco tempo, já que estão na corrida pela transformação ágil e digital.
Estágio 3 – Ágil profissional
A empresa já colhe os frutos da transformação ágil e já completou todo o processo de transformação. As áreas se conectam ao trabalharem em conjunto, principalmente suportando as áreas de negócios, e realmente colocam o cliente no centro das tomadas de decisão.
Possuem mais transparência e dar visibilidade ao que está acontecendo para todos. E priorizam as entregas e se perguntar sempre “será que estamos fazendo a coisa certa?”
Empresas que estão rodando um Ágil Profissional, possuem o mindset ágil em uma base diária dentro dos times e descentralizam decisões, mas com alto alinhamento. Não só a liderança, como os times já entendem sobre a importância de ter metas claras e bem definidas, além de alinhamento na execução de processos.
Os times são empoderados, cada um tem certa liberdade de decisão, não ficando tudo centralizado em um único gestor. Além disso, inovações acontecem o tempo todo, já que existe total liberdade de adaptação em todas as áreas da empresa.
Os colaboradores trabalham motivados e, por isso, produzem mais soluções.
Na liderança ágil, objetivos são determinados, a empresa conhece a fundo o seu cliente, promovendo a entrega de valor e removendo impedimentos.
Os 4Ps da Agilidade
Aqui na Agile.Inc nós classificamos as empresas em 4 estágios, vamos entender melhor cada um deles para que você possa identificar em qual estágio sua empresa se encontra e, assim, fazer melhorias até chegar ao ágil profissional, ou seja, no topo da agilidade.
Processo: times com objetivo, gestão visual, agile product delivery, flow management
Pessoas: papéis e responsabilidades, metas claras, auto-organização, multidisciplinaridade, valores e princípios
Produto: product backlog, management, métricas, UX, UI
Práticas de Engenharia: qualidade, devops, clean code, QA Ágil, automação
Os 4P’s no nível Mecânico:
- time de desenvolvimento que se desentende
- product owner proxy: só tira pedido sem se importar muito
- é um time tarefeiro que não pensa na valorização do produto
- não tem visão integrada
- não tem portfólio
- muitas coisas são feitas baseadas por suposições e não por ter estudado métricas
- scrum master ou agilista: é aquele que está em suas primeiras experiências de agilidade. Ainda não tem muito expertise, trazendo algo mais teórico.
- não é claro onde começa e onde termina suas responsabilidades
- liderança preditiva, que monitora seus colaboradores.
- a equipe serve o líder
- fluxo demorado, cada área tem sua tarefa e suas prioridades
- documentações não são claras
- testes são feitos de forma manual
- equipe é vista como codificadores
Os 4P’s no nível Ágil Profissional
- o time se entende e trabalha junto
- tem uma visão totalmente integrada dos processos
- têm uma visão geral do que está acontecendo
- os processos colaboram com a entrega de valor do produto
- as pessoas expõem problemas
- colaboradores trazem novos insights
- erros são aceitos e fazem parte do aprendizado
- é necessário utilizar a auto-organização, usando a sabedoria e inteligência de todo o time.
- o time é engajado, motivado e com propósito
- liderança muda de perfil, sendo uma cultura de entrega de valor, evitando desperdício.
- o líder serve a equipe
- times trabalham juntos com o mesmo objetivo, fazendo com que os serviços sejam finalizados de forma rápida
- equipe é um coautor, ele sabe qual a melhor solução para determinado problema
Criar um produto ágil é algo complexo, logo não tem como as coisas serem feitas de forma separada (como é feito no tradicional). Para que tudo funcione de forma correta, as operações, os profissionais precisam estar integrados para que tudo seja feito de forma rápida e com entrega de valor, assim, a empresa consegue identificar um problema ainda na produção, sem que esse problema chegue no usuário
Como tudo acontece…
Imaginem o seguinte.
Um gestor da empresa analisa o mercado e percebe que precisa ser mais ágil. Com essa ideia na cabeça, é implantado um método ágil na empresa, mas somente isso.
Não é modificada a cultura da organização, não possui princípios de embasamento, ou seja, essa mínima mudança é feita de forma mecânica.
Isso faz com que a produtividade do time caia, já que o gestor não tem expertise o suficiente para saber sobre a mudança de status quo, ele apenas queria ser mais ágil, mas não fizeram um estudo estratégico sobre isso.
Nesse ponto que entra a famosa Curva J, que explicaremos a seguir.
Curva em J – A Curva da mudança
A Curva em J foi desenvolvida pela psicoterapeuta Virginia Satir. Na psicoterapia, o modelo de mudança é descrito em 5 estágios, que surtem efeito sobre os sentimentos, pensamentos, desempenho e filosofia. Ao passar por esses efeitos você conseguiria melhorar a forma em que processa a mudança e como ajuda outras pessoas a processá-las.
Quando falamos em agilidade organizacional, pode-se também usar a curva em J como uma estrada a ser percorrida. Em diversos aspectos, um nível de agilidade ajuda a reduzir riscos. Mas, quando estamos falando de mudança organizacional, essa agilidade, na maioria das vezes, irá expressar primeiramente em um leve declínio de desempenho.
É importante dizer que isso é totalmente normal, e está diretamente ligado a mudanças no status quo da organização, que logo após o declínio irá começar a elevar seu desempenho.
No geral, este processo acontece quando uma pessoa da organização lê algo sobre agilidade e percebe que precisam da transformação (mesmo sem saber ao certo, o que é ser ágil). Por conta dessa percepção rasa do ‘ser ágil’, o método é implantado nessa organização de forma mecânica, fazendo com que a produtividade do time caia. Isso é exatamente o que diz a Curva J.
Identificando o estágio de maturidade da minha empresa.
Existem algumas perspectivas que podem ser analisadas e levadas em consideração para se analisar o quão ágil a sua empresa é considerada.
Práticas e papéis
Têm-se como objetivo compreender se a organização está utilizando os processos de forma eficiente e, ainda, se todos sabem suas respectivas funções dentro da empresa.
Se você não sabe como identificar isso, existem algumas perguntas que devem ser feitas:
- Existe clareza de quais são as responsabilidades dos papéis disponíveis na empresa atualmente?
- O fluxo de trabalho das equipes está visível?
- As equipes possuem políticas explícitas (ex: definição de pronto para ser trabalhado, definição de pronto etc.)?
- Gargalos e filas estão visíveis no fluxo de trabalho das equipes?
- As equipes possuem clareza das principais fontes de retrabalho?
- Práticas de engenharia de software estão sendo utilizadas para manter o código saudável?
- O processo de publicação está automatizado?
- Existem testes automatizados?
Métricas
A intenção é compreender se a sua empresa tem utilizado métricas de negócio e de processo. E, se sim, em qual nível?
Precisa-se reforçar a importância de desenvolver métricas de referência que irão ajudar na melhoria do seu negócio. Para analisar isto, pergunte-se:
- As métricas de negócio estão sendo utilizadas no processo de tomada de decisão?
- Estão visíveis para todas as pessoas da empresa analisarem?
- São utilizadas como referência no processo de definição de uma iniciativa (ex: quais indicadores de negócio serão alavancados pelo projeto X)?
- As equipes utilizam métricas de processo para projetar prazos de entrega?
- E para analisarem a saúde do processo?
Priorização orientada ao negócio
A sua organização define prioridades? Ou tudo é visto como prioridade? Quando isso acontece, na verdade nada é prioridade, afinal tudo está no mesmo nível.
É preciso entender se existe um processo estruturado de priorização. Pergunte-se:
- Existem critérios claros de priorização?
- A priorização tem levado em consideração as necessidades dos clientes?
- As métricas de negócio são utilizadas no processo de priorização das iniciativas?
- É realizada uma análise das dependências entre as iniciativas antes da finalização do processo de priorização?
Resultado financeiro
A sua empresa mensura os resultados financeiros de suas iniciativas? Isso é algo muito importância no processo ágil e para descobrir se já está fazendo isso ou não, pergunte-se:
- A liderança da organização tem clareza dos objetivos de negócio de cada iniciativa?
- As equipes estão metrificando o resultado financeiro das entregas?
- A organização consegue classificar as iniciativas quanto ao resultado esperado (ex: essa iniciativa gerará maior eficiência no negócio, ajudará a conquistar market share, será uma inovação, antecipará o custo do atraso?)
Essas 4 análises irão ajudar a diagnosticar em qual etapa de agilidade a sua empresa está e onde você precisa melhorar.
Ok, eu sei meu estágio, como melhorar?
Agora que você já identificou em qual estágio a sua empresa está, nós da Agile Inc. temos algumas soluções que podem ser feitas para que a sua empresa avance na Curva J de forma mais rápida e chegue ao status quo desejado.
Nesse caso, será analisado algumas coisas, como:
- qual o problema de maturidade da empresa?
- qual o mindset do executivo
- como está o seu time, ele está alinhado?
- como os métodos ágeis foram implantados até agora?
Depois de analisar esse pitch e o gestor entender que têm um problema a ser resolvido. Nós iremos te ajudar a acelerar a Curva J e assim, fazer com que a sua empresa avance na trajetória da transformação. Essas soluções consistem em treinamentos, consultorias e montagem de squads.
Primeiramente, iremos fazer um radar da sua organização, que consiste em entender onde estão as falhas, onde precisa melhorar, para que assim possamos montar uma estratégia certeira otimizada para sua empresa.
Squad
É importante contar com um time de pessoas com habilidades adequadas para alguns processos, os SQUADs. Como cada cliente é único, é preciso analisar as condições de trabalho para montar uma equipe multidisciplinar adaptada.
Consultoria
Usa-se de metodologias ágeis para transformar o modo como se cria produtos, como ajuda na conexão com seus clientes e gera vantagem competitiva.
Com a ajuda de uma consultoria é possível realizar a ruptura da mentalidade tradicional para assim ocorrer a transformação ágil.
Treinamentos
Treinamentos para adaptação e melhoria da equipe de acordo com a necessidade da sua empresa e dos seus colaboradores. Todos certificados pela Scrum.org e realizados pela Agile School.
Agora que você já sabe seu estágio de agilidade, entre em contato com nossos consultores e transforme a sua empresa de verdade.
