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A Jornada do Agilista: qual o ciclo de vida desse papel dentro de um time?

Entenda melhor como é o começo, meio e o fim da atuação do especialista em Agilidade dentro de time de desenvolvimento de produtos digitais

Por Fabricio Pequeno e Ricardo Avigro
A Jornada do papel de Agilista e seu ciclo de vida dentro de um time Ágil

Considerada uma das 15 profissões emergentes de 2020 no Brasil – segundo um estudo publicado pelo LinkedIn, o Agilista, ou Agile Coach, ou Scrum Master, ou Agile Master, ou Agile Expert, entre outros nomes dados ao papel do especialista em Agilidade, é um dos trabalhos que mais cresce nos últimos tempos… Mas, você sabe como é a jornada do Agilista, seu desenvolvimento e/ou crescimento desta carreira? Ou qual o ciclo de vida desse papel dentro de um time?

Foi pensando nisso que, nós, Ricardo Avigro e Fabricio Pequeno, resolvemos escrever esse artigo! A ideia da Jornada do Agilista não surgiu para ser uma jornada definitiva, ela foi idealizada a partir do momento no qual foi perceptível um comportamento recorrente em times ágeis.

Não significa também que, seguindo essa jornada, você vai conseguir sucesso absoluto. Esse caminho defende que o Agilista tem um ciclo de vida a cumprir dentro de um time e expõe alguns marcos importantes, no qual devemos ficar atentos antes de cobrar maturidade e auto-organização das pessoas.

Pense que, por alguma vez, conversando com agilistas, você se deparou com dúvidas sobre “como é o nível de sucesso desta função?”. O papel de Agilista sempre deixou muito vago como você pode fazer as coisas e o quanto você pode fazê-las…. Não estamos aqui para limitar sua criatividade, nem o trabalho, muito menos o histórico de cada um, porém é muito importante que a gente tenha um rumo para seguir. E, com isso, nasceu a essa jornada, uma entre tantas outras que pode ser um bom caminho a ser tomado.

… Agora vamos ao que interessa, a Jornada do Agilista

Muita coisa acontecendo, correria, entregas parciais, atividades entrando no meio da sprint, desenvolve nessa sprint e na outra testa, “daily, para que isso?”, “retro só sai problemas direcionado a pessoas e não tem nada de positivo”, mas, no geral o time está bem, faz entregas e é auto-organizável para realizar suas atividades. 

Identificou alguma coincidência com algo citado? Bom, nós já passamos por algumas situações assim, e aí pensamos: “O que fazer? Por onde começo? Como agir?”. Pensando nisso, mapeamos o que chamamos de “Jornada do Agilista”, com base em nossas experiências que deram certo. 

Etapa 1 – ENTENDIMENTO

Cheguei em um time, e agora? Entendemos que é preciso fazer uma leitura do ambiente. Ok! Você já leu isso em todos os lugares, por isso, vamos lá… Como fazer essa leitura ou como chamamos, “Entendimento”, que é dividido em quatro etapas:

Fluxo para explicar a fase de entendimento de times ágeis

1 – Entenda quem é o seu time, quem são as pessoas, converse com cada um e ouça seus desafios, seu momento e suas dificuldades, sem julgamentos! Entenda o perfil técnico também, isso é muito importante. Não precisa entrar no detalhe de código, mas é bom saber minimamente;

2 – Analise o fluxo de trabalho atual. Alguns times acham que tem um fluxo de trabalho quando na verdade é um go horse disfarçado e, na loucura do dia a dia, não conseguem ver o quanto geram de retrabalho para eles mesmo. Examine também as restrições, pois muitas empresas têm processos originados do modelo tradicional e, algumas vezes, precisamos conviver com isso por um certo tempo.

3 – Entenda o backlog do produto e sua priorização. Sim, o Agilista pode ajudar o Product Owner com o backlog, questionar as priorizações e ajudar a gerar mais valor nas entregas, e isso influencia diretamente no próximo ponto.

4 – Saiba o propósito do time. Um time sem propósito vira um time tarefeiro, uma fábrica de software e isso desmotiva as pessoas.

Não existe um tempo ou uma ordem para toda essa análise, colocamos assim pois foram os pontos que achávamos mais importante e que davam base para a ação seguinte.

Etapa 2 – AÇÕES 

Depois que você tiver todo esse entendimento, chega o momento mais desafiador e pode ser contraditório com algumas literaturas, mas, é o momento de “AGIR”!

  • Identifique os problemas, monte uma proposta e apresente para a hierarquia da empresa – é muito importante estar sempre alinhado com seus superiores.
  • Apresente essa proposta para o time e busque aliados para implantação deste plano. Embora muitos falem o contrário e na agilidade pregamos que as mudanças fazem parte, as pessoas tendem a resistir à elas, por isso, quanto mais aliados você tiver, melhor para a implantação da proposta.
  • Deixe essa proposta visível para todos, compartilhe a jornada de desenvolvimento, acordos de trabalho e o que mais achar necessário.

Um dos pontos mais difíceis e cruciais desta etapa é identificar os sabotadores. Nem todos estão preparados para a mudança, seja por qual motivo for – e, sim, sabotadores existem e temos que lidar com eles. Como? Elimine-os!

Nem sempre um sabotador será uma pessoa, às vezes pode ser um processo não muito inteligente que gere desperdício, mas no geral são pessoas, e podem ser pessoas do time, de outras equipes que temos dependência ou até mesmo um gestor desconfiado e centralizador.

Essa é a parte mais complicada, pois não lemos isso (pelo menos nunca li diretamente). Mas, na prática, o sabotador se tornou um impedimento na melhora do fluxo de trabalho, implementação da proposta e/ou dia a dia do time. E falando em impedimento, nós, Agilistas, removemos como ninguém!

Para cada tipo de sabotador, temos um tipo ação a ser tomada:

  • Uma Pessoa do Time: Já li que o time deve ou não permitir uma determinada pessoa ali e, nós como Agilistas, só atuamos quando o time sinaliza. Porém, algumas vezes o time não tem maturidade para isso ou ainda não percebeu que determinada pessoa é um sabotador. Por isso, você Agilista, sim, você mesmo, deve colocar seu casaco de “general” e determinar que o sabotador seja retirado do time. (a forma de fazer isso dependerá da autonomia que terá dentro da organização, porém deve reportar o caso ao gestor direto da pessoa para que a ação seja tomada. Lembrando que deve sempre ter exemplos das situações que o levaram a tomar essa decisão e após feedbacks com esse “sabotador”.)
  • Gestor centralizador: O ideal é entender e minimizar o medo ou insegurança que ele tenha sobre o trabalho, seja falta de visibilidade, achar que o time faz muita reunião e “coda” pouco, achar que a falta de um cronograma prejudica a visão, enfim o ideal é entender e remover esse “sabotador”, pois mesmo de forma inconsciente ou indireta essas atitudes atrapalham o andamento do fluxo e consequentemente as entregas.

O que queremos dizer aqui é que, independente do que ou quem esteja atrapalhando, o andamento do fluxo e proposta estabelecida, deve ser removido.

Outro ponto importante é sempre estimular o time para ações que garantam o fluxo da jornada de desenvolvimento, uma vez estabelecido, ele deve ser cumprido. Considere sempre, os refinamentos e tenha as dependências mapeadas. Elas serão extremamente importantes para o engajamento do time em relação a Qualidade e Entrega – são coisas que não podem ser negociadas e uma não caminha sem a outra.

Nesse ponto que entraremos a seguir – que também é polêmico, pois muitos dizem que a área de Produto não faz parte do papel do Agilista, mas, na prática, como trabalhamos junto com a pessoa que energiza o papel de  Product Owner, é muito importante orientar e ajudar. E como podemos fazer isso?

  • Primeiro, é preciso garantir que o backlog esteja claro, disponível e entendido pelo time, e depois para toda a empresa. 
  • Em seguida, devemos também deixar transparente para todos as entregas do time.

Etapa 3 – DISSEMINAÇÕES 

Tendo a visibilidade do backlog e das entregas do time, começamos a entender e questionar se essas entregas estão alinhadas com o propósito do produto. E, para que isso seja possível, precisamos entender e conhecer nosso cliente, olhar pela ótica de UX e UI, para saber como é sua jornada e sua experiência usando este produto. 

Neste momento, é muito importante que você e a pessoa que atua como PO fiquem próximas de que faz o papel de Designer e do especialista da Área de Produtos. Aliás, essa parceria é essencial em todas as etapas e, levar todo esse entendimento para o time para que participem das decisões estratégicas, traz um senso de “dono do produto”, e você verá que isso fará toda a diferença. 

Por fim, pensando sempre em visibilidade, criamos um painel no qual é possível mostrar todas as entregas do produto, voltadas para as experiências do usuário, independente de times.

Literatura x Realidade

Algumas literaturas trazem modelos do que devemos seguir, eventos com sequências nas quais, independente de serem eficazes ou não, são importantes de se fazer. Não achamos que isto está errado, a questão é que poucas vezes vimos uma orientação realmente voltada ao Agilista nisso tudo…. 

Subentende-se que o Agilista deverá saber como se comportar e que a evolução do time irá acontecer perfeitamente como descrito a partir das situações propostas. O entendimento dos ciclos em muitas vezes é aplicado para produtos e para a maturidade do time, porém não é aplicado para a evolução do Agilista sobre a ótica de progresso do time como um todo. 

Nossa proposta é de conscientizar a todos que existe um ciclo de vida para a atuação do Agilista dentro de um time e que, esse ciclo, a partir de sua completude, não indica que uma deverá ter uma promoção e sim um critério de sucesso, visando o direcionamento de carreira. Assim, podemos buscar um outro time no qual nossa atuação terá resultados mais expressivos – visando a maturidade como um todo em uma empresa.

Essas foram algumas ações que adotamos e nos fizeram alcançar sucesso nos projetos que atuamos. Claro que nem sempre acertamos e aqui contamos apenas o que funcionou…

Deixe nos comentários se já passou por algo parecido e o quanto essa jornada se aplica a sua realidade. Valeu, até a próxima!

 
 
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